O Dia D

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Hoje é um dia histórico para o Grêmio, o dia que decidirá o futuro do Imortal. Finalmente, o Conselho Deliberativo se unirá para decidir o local da Arena Gremista. Humaitá ou Azenha? Odebrecht ou TBZ-OAS? Essas são as dúvidas que os gremistas possuem.

A resposta da primeira questão me parece mais óbvia. Não vejo com grandes chances que o local da Azenha, onde está o grande e sempre amado Olímpico Monumental, seja aprovado. Parece que está óbvio que, por questão de segurança, a diretoria não quer arriscar demolir o Olímpico antes que já tenha a Arena pronta. E isso me parece a decisão mais correta. Quais as garantias existentes para que a TBZ ou a OAS não possa falir antes da concretização da Arena? E se falir, como fica o Grêmio? Corremos um sério risco de ficarmos sem estádio. E o próprio projeto é inviável em vários aspectos. Para começar, o Grêmio teria que jogar num pequeno estádio, construído pela própria TBZ-OAS, no CT de Eldorado do Sul, com capacidade de 14 mil pessoas. No entanto, o Grêmio possui mais de 40 mil sócios, possui uma média de público superior a 20 mil, isso sem falar em jogos internacionais, como Libertadores, onde o Grêmio não poderia jogar em sua casa nos jogos finais, pois a Conmebol não permite que um estádio com baixa capacidade de público seja usado nos jogos decisivos. Portanto, a decisão de escolher a Azenha é muito arriscada. Ainda mais, temos um exemplo recente de uma grande parceira que faliu, e quase nos levou juntos. A ISL, a então parceira da FIFA, assim como de Grêmio e Flamengo no Brasil. A empresa organizou com a FIFA o primeiro Mundial de Clubes chancelado pela entidade, em 2000, e por conta de sua falência, o torneio só voltaria cinco anos depois, em 2005. Mas isso não foi só. O Grêmio entrou numa enorme crise financeira, a pior crise de sua gloriosa história, o que resultou em muito, a queda para série B. Dali, ficamos no fio da navalha, até a milagrosa Batalha dos Aflitos. E por esse exemplo recente em nossa história, é pouquíssimo provável que o Conselho Deliberativo se arrisque nessa aventura de demolir o Olímpico antes da conclusão da Arena, o que deixa praticamente o projeto da TBZ-OAS na Azenha fora do jogo. Além disso, eu prefiro o bairro Humaitá por desenvolvimento econômico do clube. O possível terreno da futura Azenha é de 34 hectares, mais do que o triplo da atual área do Olímpico. O que pode aumentar ainda mais o patrimônio do clube, assim como o seu empreendimento comercial. Além disso, o acesso é mais facilitado, com a proximidade da estação Anchieta da Trensurb, a Freeway que facilita o acesso para quem vem da região metropolitana e a proximidade do Aeroporto Salgado Filho. Esses são elementos que ampliam de maneira significante o projeto do estádio em ser sede da Copa do Mundo de 2014, o que é extremamente importante para o marketing esportivo do clube, que hoje, é essencial para o desenvolvimento econômico dos clubes, e isso é uma realidade nos dias atuais.

A segunda pergunta é mais difícil. Por um lado temos a construtora Odebrecht, e por outro, a concessionária portuguesa TBZ, que faz parceria com a construtora OAS. A empresa portuguesa está no mercado desde 1996, e é especialista, como diz em seu site, na gestão de estádios. Os portugueses administram o Santiago Bernabeu do Real Madrid, o estádio Cidade de Coimbra e o Estádio Olímpico João Havelange, em parceria com o Botafogo. Financeiramente, a TBZ é a melhor escolha. Com os portugueses, a divisão do faturamento da Arena nos 20 primeiros anos, seria de 65% para o Grêmio e 35% para a TBZ, numa receita anual prevista de 56 milhões de reais, o que garantiria aos cofres do Imortal, aproximadamente, 36 400 000 reais anuais, de acordo com as estimativas. Com a Odebrecht, a divisão é feita em 50% para cada lado, numa previsão de 59 milhões de reais anuais na receita com a Arena, o que deixa o Grêmio com uma receita de 29 milhões de reais anuais. Mas ainda não sei, se a TBZ tem condições de bancar tamanha diferença entre os valores das duas concorrentes ou faz isso como uma apelação contra a rival na construção da Arena. Sobre a construção, a OAS se encarregaria de realizar as construções da Arena no projeto da TBZ.

A grande crítica na questão da Arena é da inexistente participação da torcida gremista, principalmente dos sócio-torcedores, além das escassas informações sobre o tema. Não sabemos qual estudo feito para garantir que a reformulação do Olímpico é inviável, enquanto o Beira-Rio, apenas mais novo, será reformulado pela diretoria colorada. Talvez seja pelos motivos abordados aqui e por outros blogs, mas ainda sim, faltou à diretoria se explicar mais para os gremistas. Não sabemos se houve outras propostas, além da Odebrecht ou da TBZ, e como elas foram descartadas. Não sabemos o porquê de tantas datas para a definição do local da Arena e tantas datas remarcadas.

 

Sites para maiores informações

Odebrecht

TBZ

OAS

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